Como diferenciar intolerância e alergia alimentar

Como diferenciar intolerância e alergia alimentar
Print This Article

Como diferenciar intolerância e alergia alimentar, dois problemas de saúde sérios que requerem acompanhamento e cuidados especiais

*Por Dra. Ully Alla

É cada vez mais comum vermos pessoas comentando que se sentem mal ao ingerir determinados alimentos. Geralmente, esse mal-estar tem ligação com um quadro de intolerância ou alergia alimentar, duas condições de saúde bastante sérias e que, se não diagnosticadas corretamente, podem levar à morte.

A alergia configura-se como uma reação modulada pelo sistema imunológico do organismo contra proteínas presentes em determinado alimento, reconhecidas pelo corpo como “inimigas”.

Já a intolerância alimentar, caracteriza-se uma reação decorrente de uma deficiência nas enzimas responsáveis pela digestão, dificultando este processo. Diversos alimentos, de grupos variados, podem causar quadros de intolerância, como: laticínios, cereais, carnes, frutas, ervas e especiarias, frutos secos, vegetais, peixes e frutos do mar.

Leia também:
mpresas oferecem produtos específicos para quem sofre de intolerância alimentar
Fique atenta aos sintomas da doença celíaca
Whey protein com adição de proteína do trigo perde eficiência

Ainda que as crianças sejam o grupo mais afetado, alergias ou intolerâncias alimentares podem se manifestar em qualquer estágio da vida. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, a condição alérgica atinge cerca de 5% da população adulta e perto de 8% das crianças.

A tendência à alergia alimentar é uma condição hereditária, mas o “gatilho” vem do ambiente ao qual a pessoa está exposta. O grupo mais propenso a desenvolvê-la são os bebês. Por este motivo, é importante o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade. Na impossibilidade, a substituição deve ser por fórmulas lácteas. De acordo com recomendações da OMS – Organização Mundial da Saúde, outros alimentos devem ser introduzidos na dieta somente após os 6 meses.

No Brasil, observamos que entre os principais alimentos desencadeadores de alergias, destacam-se: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, crustáceos e peixes. Devido às características da população e recentes mudanças dos hábitos alimentares, kiwi e gergelim também têm apresentado um aumento da prevalência de reações alérgicas. Enquanto cacau, corantes e a carne do porco acabaram se revelando menos alergênicos do que se acreditava.

Existe a crença de que as alergias alimentares são uma condição para toda a vida, porém é possível reverter alguns quadros. Isso depende da característica do alérgeno, sendo assim, a duração da alergia varia de acordo com o alimento em questão. As alergias que se iniciam, mais comumente, na infância (leite, ovo, soja, trigo) apresentam maior probabilidade de se resolver até a adolescência, com uma tolerância oral. Já outros alimentos, como amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar, são tipicamente persistentes.

As alergias e intolerâncias geralmente são percebidas pela apresentação de sintomas sempre quando há ingestão ou contato com um determinado alimento e o diagnóstico depende de avaliação médica, testes e exames laboratoriais específicos.

No caso da intolerância alimentar, observa-se que os sintomas se manifestam com menor intensidade e não parecem estar diretamente relacionados à ingestão dos alimentos.

A detecção de alergias alimentares é importante para evitar que os sintomas evoluam. As reações mais comuns são urticárias, manchas avermelhadas, inchaço de olhos e boca, sintomas nasais, broncoespasmo abrupto, diarreia e/ou vômitos imediatos. O quadro mais grave envolve a anafilaxia, que pode levar à morte se não houver socorro imediato.

Os tratamentos para alergia e intolerância alimentares são completamente diferentes. Para combater a alergia é necessário eliminar o contato, inalação ou consumo do alimento envolvido. Alguns pacientes com diagnóstico de alergia desenvolvem tolerância ao alimento envolvido, que volta a ser consumido sem manifestações alérgicas. Mas vale ressaltar que esse processo só deve ser feito com o acompanhamento de um especialista, pois pode desencadear reações graves.

Já em casos de intolerância, o paciente pode tolerar certas doses do alimento, sendo isso bem individual e a própria pessoa acaba por distinguir essa dose conforme os sintomas.

Em caso de falha do tratamento clínico de medidas de controle ambiental e início de uma reação alérgica, o tratamento geralmente se dá pelo uso de antihistamínicos e/ou corticóides. No caso de anafilaxia, alguns pacientes orientados podem utilizar a caneta para autoinjeção de epinefrina, mas na indisponibilidade dela devem procurar um hospital.

É importante salientar que o auxílio médico é fundamental para identificar se os sintomas são fruto de alergia ou intolerância alimentar e qual o tratamento mais adequado para a condição apresentada.

Como diferenciar intolerância e alergia alimentar Dra. Ully Alla BH Mulher

* Dra. Ully Alla é especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo; em Nutrologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; e em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/EPM. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM. Graduada em Medicina pela Universidade Nove de Julho e em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Goiás.

Este post é uma contribuição da assessoria da Dra. Ully Alla para o Guia BH Mulher

Nota: Ao reproduzir nosso conteúdo, favor informar os créditos e manter os links. Caso algum artigo ou imagem postado aqui em nosso site, que seja de sua autoria e o crédito não esteja determinado, favor entrar em contato pelo acesso no rodapé do site ou no menu acima.

dicas bh

 

 

Veja onde encontrar em Belo Horizonte e cidades vizinhas

  Article "tagged" as:
  Categories: